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Sob o Tremor das Imagens e o protagonismo indígena no cinema

  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

Como a apropriação das técnicas do audiovisual pelos povos indígenas transforma a forma de contar suas próprias histórias?


Por: Rinald Ponte Coelho


O livro Sob o Tremor das Imagens: Cinema Indígena, Cultura e Território, lançado em 2026, escrito pelo professor universitário e cineasta Gilson Costa, analisa como a apropriação das técnicas do audiovisual pelos povos indígenas transforma o cinema em um espaço de construção de narrativas próprias, expressão de suas identidade e luta por direitos sociais e territoriais.


Gilson Costa e Divino Tserewahú, no lançamento do livro Sob o Tremor das Imagens: Cinema Indígena, Cultura e Território
Gilson Costa e Divino Tserewahú, no lançamento do livro Sob o Tremor das Imagens: Cinema Indígena, Cultura e Território

O cineasta afirma que a apropriação surge como forma expressiva de preservação da memória coletiva e afirmação cultural da sociedade Xavante e diversas outras etnias, como os Manoki e Myky, que reúnem jovens realizadores na luta pela conservação das tradições da cultura. Para muito além do estético, as produções audiovisuais Xavante se consolidam como instrumento de proteção cultural e poder político na luta por territórios e pela defesa de direitos sociais.


A defesa da memória e da cultura se alinha com o trabalho de Divino Tserewahú, cineasta Xavante que atua há mais de 30 anos na produção documental do cotidiano da aldeia e dos rituais que cercam a cosmologia do povo Xavante.

Gilson Costa em sessão de autógrafos
Gilson Costa em sessão de autógrafos

Divino também esteve presente em mobilizações de reconhecimento e proteção de território tradicional, como na luta do povo Makuxi pela demarcação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, documentando em seu filme “Vamos à luta!”. O cineasta indígena também é personagem e ao mesmo tempo co-diretor junto com Clea Santos e Gilson Costa, do documentário “Divino: sua alma, sua lente”, produção que vem conquistando espaço e janelas, como É tudo verdade (importante festival de documentários da América Latina) e mais recentemente Gramado, maior festival de filmes do país.



Valeriano Rãiwi'a
Valeriano Rãiwi'a

Sob o Tremor das imagens traz como importante observação, a descentralização do cinema ao integrar os indígenas como protagonistas na produção de suas próprias histórias, se distanciando das perspectivas eurocêntricas que o cinema tinha a respeito dos indígenas. Em muitos momentos da história sendo representados de maneira genérica e colonialista, no qual eram apresentados como selvagens ou sujeitos que devem ser integrados na sociedade para o progresso social.


A obra utiliza a linguagem didática, introduzindo o leitor de forma profunda, a vida do povo xavante, sua visão de mundo e a resistência da cultura em meio às ameaças territoriais e ideológicas.

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