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Estudantes transformam abandono em esperança por meio da adoção

  • há 2 horas
  • 3 min de leitura

Alunos da UFMT, voluntários e o poder público unem forças para dar nova chance a cães e gatos abandonados nos Campus de Barra do Garças e Pontal do Araguaia


Por: Maria Clara Bastos


O abandono de animais continua sendo um dos principais desafios relacionados ao bem-estar animal no Brasil. Essa realidade também está presente na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), nos Campus Araguaia e Pontal do Araguaia, onde é comum encontrar cães e gatos circulando pelos blocos da instituição. Alguns animais permanecem próximos às guaritas e áreas de convivência, como se aguardassem a chance de serem adotados por estudantes, professores ou servidores sensibilizados com a causa animal.

 

O gato Eric fez com que Rodrigo se aproximasse da causa animal. (Foto: acervo pessoal)
O gato Eric fez com que Rodrigo se aproximasse da causa animal. (Foto: acervo pessoal)

Além da falta de um lar, esses animais enfrentam diariamente fome, sede, doenças, maus-tratos e o risco constante de atropelamentos. A situação também representa um problema de saúde pública e reforça a necessidade de ações voltadas à guarda responsável, à castração e à conscientização da população.

 

O estudante Rodrigo Borges, de 24 anos, conheceu essa realidade de perto ao adotar Eric, um gato que vivia nas dependências da universidade. Segundo ele, viver a experiência da adoção de um animal abandonado despertou um olhar mais atento para essa realidade, e mostrou também as dificuldades enfrentadas por estudantes que tentam cuidar desses animais. Após algum tempo, o gato morreu com sinais de envenenamento, fato que o desanimou a realizar novas adoções.


Para Rodrigo, a universidade ainda oferece pouco apoio à causa animal. Ele acredita que a responsabilidade acaba ficando nas mãos de poucos estudantes voluntários e sugere que a universidade desenvolva ações em parceria com outros órgãos para ampliar a proteção e o cuidado com os animais abandonados.

 

Valentina (Foto: acervo pessoal)
Valentina (Foto: acervo pessoal)

Uma experiência diferente foi vivida pela estudante de Jornalismo Mariana Pimentel, de 20 anos, que adotou dois cães que viviam no Campus Pontal do Araguaia da UFMT. Ela conheceu os animais por meio do projeto AUmigos UFMT/Araguaia, criado por estudantes para divulgar cães e gatos disponíveis para adoção. Segundo ela, a decisão foi motivada pelo amor aos animais e pelo desejo de contribuir com a iniciativa.


A universitária conta que no início, os cães demonstravam medo e dificuldade para confiar nas pessoas, mas, com paciência, cuidado e carinho, logo se adaptaram ao novo lar. A estudante destaca que a universidade e o poder público podem e devem  ampliar as ações de conscientização e apoiar projetos voltados à causa animal. "Adotar é um ato de amor que cura quem foi adotado e quem adotou", afirma Mariana.


A estudante de Biomedicina Eduarda Berlatto, de 22 anos, criadora do projeto AUmigos UFMT/Araguaia, explica que a iniciativa surgiu diante do grande número de animais abandonados nos Campus e da necessidade de oferecer mais visibilidade à causa. O projeto reúne estudantes dos Campus Araguaia e Pontal do Araguaia que atuam voluntariamente na alimentação, monitoramento, divulgação e busca por adotantes para cães e gatos.

 

Juliano (Foto: acervo pessoal)
Juliano (Foto: acervo pessoal)

Atualmente o projeto acompanha cinco animais comunitários e, desde 2022, já contribuiu para a adoção de mais de 12 cães e gatos. Eduarda destaca que o trabalho também busca conscientizar a comunidade acadêmica sobre a importância da adoção responsável e do respeito aos animais, além de defender campanhas de castração, vacinação e educação para reduzir os casos de abandono.

 

A realidade enfrentada dentro da universidade também se reflete no trabalho desenvolvido pelo município, que de  acordo com Maria Rita Leal, chefe de seção da Secretária Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Barra do Garças, mantém atualmente 150 animais, sendo 120 cães e 30 gatos. A maioria dos resgatados em situações de maus-tratos, negligência ou abandono recebe atendimento veterinário, alimentação, vacinação e outros cuidados até ser encaminhado para adoção responsável.

 

Ainda segundo Maria Rita, somente no primeiro semestre de 2026 foram realizadas 82 adoções responsáveis e cerca de 240 resgates de cães e gatos em situação de risco. Ela destaca que o município também desenvolve ações de prevenção e controle da leishmaniose, além de campanhas de conscientização sobre guarda responsável e proteção animal.

 

Segundo estimativas divulgadas pela Agência Brasil, o país possui cerca de 30 milhões de animais domésticos abandonados. Na UFMT, iniciativas como o projeto AUmigos UFMT/Araguaia, o envolvimento de estudantes e as ações do poder público mostram que é possível transformar essa realidade. No entanto, reduzir o abandono depende do compromisso coletivo com a adoção responsável, a castração, a conscientização e o respeito à vida animal.

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