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A crise da expressão artística na era do streaming

  • 26 de mai.
  • 2 min de leitura
A nova sátira da Apple TV+ escancara os bastidores de Hollywood e reflete como a lógica implacável do capitalismo e a busca pelo lucro em massa sufocam a inovação criativa no cinema contemporâneo.

Por: Bruna Milhomem


O Estúdio é a nova sátira à Hollywood. Ao mesmo tempo em que diverte, também provoca e leva o espectador à reflexão sobre o funcionamento interno da indústria cinematográfica. A série da Apple TV+ acompanha, de forma bem humorada e sem filtros, os desafios enfrentados pelo cinéfilo apaixonado Matt Remick.


Promovido a diretor dos tradicionais estúdios Continental, o executivo se vê cercado de decisões que comprometem completamente seu objetivo no novo cargo: dar equilíbrio entre qualidade artística e o retorno lucrativo dos filmes.


J.R Eyerman / The LIFE picture collection
J.R Eyerman / The LIFE picture collection

O primeiro episódio da série traz a tona a principal causa do adoecimento da produção cinematográfica na contemporaneidade: o lucro se torna mais importante do que a inovação criativa e a forma como o público será marcado pelo filme enquanto obra de arte.


“Eu amo filmes. Mas, hoje em dia, tenho a sensação de que meu trabalho é arruína-los.” A frase do protagonista resume bem a pressão de ser a pessoa que decide quais projetos serão produzidos ou não. Matt chega ao ponto de ter que enterrar um roteiro de Martin Scorsese (genialmente interpretado por ele mesmo), para não comprometer um potencial blockbuster sobre o mascote de uma marca de suco americana, o Kool-Aid — conhecido no Brasil como Ki-suco.


Da autocrítica à negligência com a qualidade do entretenimento é feita de forma cirúrgica na série. A massificação do conteúdo é um fenômeno cada vez mais normalizado na indústria, enquanto no imaginário de grande parte do público resta apenas a nostalgia de “como os filmes costumavam ser bons”. É um pensamento recorrente entre aqueles que percebem uma drástica precarização qualitativa nos lançamentos de grandes estúdios — como Disney e Marvel.


O conceito de cultura como mercadoria não é novo — tampouco se limita ao cinema. A indústria cultural (Adorno & Horkheimer, 1947) representa um dos muitos tentáculos do capitalismo moderno. Ele permeia todas as formas de comunicação: do rádio e da televisão, aos livros, games e filmes. 


Entre esses, o cinema talvez seja o mais afetado pela saturação do mercado. Não é à toa que Hollywood tem recorrido com frequência a obras de humor autodepreciativo, como O Estúdio. Outras produções recentes seguem o mesmo caminho, como a série A Franquia (2024), da MAX, que alfineta as fórmulas repetitivas das franquias de super-heróis, utilizando a metalinguagem de forma inteligente.

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