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A vida é a arte do encontro

  • 7 de jul.
  • 2 min de leitura

O poeta dá o tom para as melhores definições da vida. Ele olha para o céu, sente a conexão e inspira os seres humanos. Viva o coração de estudante unido!


Por: Aliana Camargo 


“A vida é a arte do encontro”. Estava entrando na casa dos vinte e poucos anos quando encontrei essa frase de Vinicius de Moraes. O poeta, dono de muitas músicas suspensas pelo tempo, colocou de forma tão simples e interessante o poder que habita nas relações humanas. A vida como arte. 


Na fase em que encontrei a dita frase, participava da vida cultural dentro da universidade, no início dos anos 2000. Uma jovem que saía do casulo para o espaço de uma universidade pública e gratuita. Vivenciei grandes transformações, a maioria delas baseadas no encontro. A vida como coração de estudante, como canta Milton - “Há que se cuidar da vida, Há que se cuidar do mundo, Tomar conta da amizade”. 


Daquele tempo, lembro da importância dos eventos culturais, muitos realizados dentro da UF. Das exposições dos artistas plásticos. Dos quadros de Gervane de Paula, de Adir Sodré e de Benedito Nunes. Dos teatros vivenciados burilando as minhas emoções. Das peças do Teatro Fúria. De ver bandas como: a cuiabana Caximir; a incrível performance da banda nordestina Cordel do Fogo Encantado. De ampliar a escuta sensível com a Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso. Das festas que organizamos para poder simplesmente dançar. A vida na época se estabeleceu como a arte do encontro.


Cada manifestação cultural foi uma fonte importante para uma formação aberta para o coletivo. A Universidade é um palco grande de transformação do Ser. Para além das bases científicas que ali habitam, precisa se voltar para a formação cultural como arte do encontro entre pessoas e múltiplas referências. Quebrar muros e estabelecer diálogos. Fazer-se pertencer. 


A arte é tão importante quanto as notas no final do semestre, é a vida que pulsa na dança dos “encontros e desencontros”

Olhares que carregam histórias, etnias e a força do trabalho. Uma obra de 1933 que continua atual e necessária. "Operários", de Tarsila do Amaral.
Olhares que carregam histórias, etnias e a força do trabalho. Uma obra de 1933 que continua atual e necessária. "Operários", de Tarsila do Amaral.

Estar à deriva é entregar-se ao que o sistema quer: abaixo as relações humanas. Articule o fim das comunas. Fim da vida como arte. Entregue-se ao novo hype - a inteligência artificial como caminho para resolver tudo - dos quadros às bandas inorgânicas. Mas a IA não resolve a vida como arte do encontro. A vida é soberana. 


O poeta dá o tom para as melhores definições da vida. Ele olha para o céu, sente a conexão e inspira os seres humanos. Viva o coração de estudante unido!



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